O Desafio: O Alto Vale do Ribeira, região que envolve municípios como Apiaí e Itaoca, a cerca de 330 km da capital paulista, guarda uma riquíssima herança cultural de matrizes indígena, africana e europeia — visível nas técnicas artesanais, no fandango de tamanco, na culinária e no fabulário local.
A cerâmica, transmitida de geração a geração, foi durante séculos peça central da vida cotidiana e do escambo na região. Hoje, porém, os mestres ceramistas somam menos de 25 pessoas entre os dois municípios, nem sempre ativas, e o risco de ruptura na transmissão desse saber é real. Ao mesmo tempo, crianças e jovens crescem com vínculos frágeis com a identidade do território que habitam, e os idosos guardam memórias preciosas que precisam ser escutadas antes que se percam.
Nossa Solução: Selecionado entre mais de 600 projetos inscritos no edital da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo, o Artesanato Identitário do Alto Vale do Ribeira nasce da parceria entre o Garimpo de Soluções e o Grupo Arte Looze com um propósito claro: dotar artesãos de primeiro nível de um repertório iconográfico autêntico, capaz de diferenciar seus produtos e ampliar seu valor de mercado.
A concepção do projeto e os trabalhos de iconografia e edição foram realizados em parceria com o Garimpo de Soluções. Trata-se de um investimento na economia criativa e na valorização identitária do território — do reconhecimento de que esses mestres têm técnica, têm talento e têm o que dizer ao mundo. Para isso, o projeto realiza um levantamento iconográfico dos símbolos mais representativos do cotidiano regional, transformados em ícones gráficos que se tornam a base de oficinas com os artesãos, além de encontros com crianças, idosos e artistas de diferentes linguagens.
O conjunto das experiências é sistematizado em um livro — distribuído gratuitamente a escolas, bibliotecas, artesãos e instituições — que reúne a iconografia, as peças criadas e as memórias colhidas dos mais velhos. O projeto ocorrerá de maio a novembro de 2026. Fazer do artesanato o espelho e o orgulho do Vale do Ribeira — e uma fonte cada vez mais robusta de renda para quem o produz.